Sou eu a vítima aqui
Agredida, violentada e assassinada
Mas julgam-me no banco dos réus
Independente do tempo ou da época
Sou e serei sempre a culpada
Esforço-me arduamente
Nesta luta comum à todos nós
Contudo, meu esforço nunca é visto
Rebaixada a figura de alguém incapaz
Despida de capacidades e potencialidades
Em busca da liberdade
Tento desconectar-me do sistema
Mas minha mente segue sendo
Reprogramada a cada nova tentativa
Reduzida a ser mais uma de milhares
Sem sonhos ou objetivos
Privada da minha individualidade
Sigo esquecendo quem fui um dia
Existe em mim apenas este vazio
De ser sem realmente ser
Presa por tantas expectativas
Que jamais serei capaz de cumprir
E o pior de tudo é que as pessoas
Vão ver sempre o meu fracasso
Nunca as minhas vitórias/conquistas
Contudo, não posso reclamar de nada
Apenas aguentar tudo o que vier calada
Senão estou a ser vitimista
Linda Nascimento Rocha



