terça-feira, 29 de setembro de 2020

De quem não aprendeu a confiar




“Um pouco de cada vez”
É o que estou sempre ouvindo
Se esquecem que sou aquela
Que aprendeu a não confiar
Sinto essa ansiedade por viver
Com este buraco negro no peito
Faminto de meus sonhos e fantasias
Me sinto vazia por dentro 
Enquanto tento fechar essa ferida
Me vejo vezes sem conta tropeçando
Em medos e sentimentos
Que me oprimem e sufocam
Por não ter com fugir deles
 
“Você não é mais criança”
“Tem que aprender a lidar com seus medos”
“Confiar faz parte do amadurecimento”
Eu estou sempre tentando confiar
Juro que estou me esforçando
Mas sempre que tento abrir meu coração
Sou dominada por esses sentimentos confusos 
Que insistem em me fazer acreditar
Que uma vez mais vou partir
Meu coração por confiar demais
Me fazendo sentir como criança desamparada
Sem alguém que me segure pela mão
Para que uma vez mais não caia em desespero  
 
“Eu sou uma vergonha”
Estou sempre pensando
“Só sei dar desgosto”
Mas aqui estou, vez após vez
Levantando a barra do meu vestido
Entrando de cabeça nessa luta
Que parece não ter fim
Onde eu mesma sou meu maior inimigo
E me vejo sempre perdendo
Mas ainda estou aqui, de pé
Mesmo com todas essas muitas
Feridas na alma que não param de sangrar 
Mesmo sabendo que minha derrota é certa
 
E sou sempre impiedosa comigo mesma
Minha mente é uma tortura sem fim 
 Tenho tentando me fazer de forte
Pois sei que no mundo domina
“A lei do mais forte”
Mas sou fraca, sei que sou
Enquanto me encontro aqui
Parada, meio sem ação
E o tempo corre lá fora veloz
Feito bala que já perdi de vista
Passam as horas, os dias e os anos
Estou envelhecendo com o passar do tempo
Mas sinto que ainda sou uma criança
 
E sou sempre impiedosa com quem
Tenta se aproximar de mim
Sempre duvidando de suas “boas intenções”
Magoando antes de ser magoada uma vez mais
Afinal de contas sou aquela que
Aprendeu a não confiar
Afastando quem se aproxima demais
Temendo que venham a conhecer
Meu lado obscuro de ser
Aquele que se esconde
Por detrás dos meus sorrisos
E das piadas sem graça
Que sempre arrancam rizadas  
 
Linda Nascimento 

 

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