
“Um pouco de cada vez”
É o que estou sempre ouvindo
Se esquecem que sou aquela
Que aprendeu a não confiar
Sinto essa ansiedade por viver
Com este buraco negro no peito
Faminto de meus sonhos e
fantasias
Me sinto vazia por dentro
Enquanto tento fechar essa
ferida
Me vejo vezes sem conta
tropeçando
Em medos e sentimentos
Que me oprimem e sufocam
Por não ter com fugir deles
“Você não é mais criança”
“Tem que aprender a lidar com
seus medos”
“Confiar faz parte do
amadurecimento”
Eu estou sempre tentando
confiar
Juro que estou me esforçando
Mas sempre que tento abrir meu
coração
Sou dominada por esses
sentimentos confusos
Que insistem em me fazer
acreditar
Que uma vez mais vou partir
Meu coração por confiar demais
Me fazendo sentir como criança
desamparada
Sem alguém que me segure pela
mão
Para que uma vez mais não caia
em desespero
“Eu sou uma vergonha”
Estou sempre pensando
“Só sei dar desgosto”
Mas aqui estou, vez após vez
Levantando a barra do meu
vestido
Entrando de cabeça nessa luta
Que parece não ter fim
Onde eu mesma sou meu maior
inimigo
E me vejo sempre perdendo
Mas ainda estou aqui, de pé
Mesmo com todas essas muitas
Feridas na alma que não param de sangrar
Mesmo sabendo que minha
derrota é certa
E sou sempre impiedosa comigo
mesma
Minha mente é uma tortura sem fim
Tenho tentando me fazer de forte
Pois sei que no mundo domina
“A lei do mais forte”
Mas sou fraca, sei que sou
Enquanto me encontro aqui
Parada, meio sem ação
E o tempo corre lá fora veloz
Feito bala que já perdi de
vista
Passam as horas, os dias e os
anos
Estou envelhecendo com o
passar do tempo
Mas sinto que ainda sou uma
criança
E sou sempre impiedosa com
quem
Tenta se aproximar de mim
Sempre duvidando de suas “boas
intenções”
Magoando antes de ser magoada
uma vez mais
Afinal de contas sou aquela
que
Aprendeu a não confiar
Afastando quem se aproxima
demais
Temendo que venham a conhecer
Meu lado obscuro de ser
Aquele que se esconde
Por detrás dos meus sorrisos
E das piadas sem graça
Que sempre arrancam rizadas
Linda Nascimento