quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Doente

 


Dizem que sou doente
Apenas por querer ser independente
Dessa nossa sociedade
Onde a loucura que se faz presente
Nessa tal humanidade
É cada vez mais emergente
 
Qual o mal em ser diferente?
Não estou doente
Sou apenas um ser carente
Tentando no meio dessa gente
Viver uma paixão ardente
 
Que ranjam os dentes
Destes homens indecentes
Sedentos não deixam escapar meus descendentes
Se assim desejarem, me chamem demente
Mas não deixarei que controlem minha mente
 
Me tratam feito louca
Porque vivo assim, meio atoa
Sei que querem calar a minha boca
Por isso vou gritar até ficar rouca
Fiquem sabendo
De boba não tenho nem um pouco

Linda Nascimento 

domingo, 8 de novembro de 2020

Objeto de Prazer

 




Dentre todos os meus medos
Sempre teve um que
Sempre foi uma constante
Que nunca foi embora
Um que cresceu junto comigo
Se tornando em  meu pior pesadelo
 
Sempre vendo a sujeira deste mundo
Tentei ignorar o que via
Criando fantasias de um mundo perfeito
Um mundo em que eu seria amada
Pelo que sou não pelo meu corpo
 
Nunca tentei me mostrar
Sempre tentando me esconder
Tentando não ser vista
Apenas como mais um brinquedo
Um objeto de prazer
Que logo é lançado fora
 
Eu quero muito mais
Do que ser apenas mais um objeto
Quero oferecer muito mais
Que alguns minutos de prazer
Quero que vejam além de meu corpo
 
Quero ser capaz de amar
E ser respeitada pelo que sou 
Poder andar livre de olhares
Olhares envenenados
Quero poder ser eu mesma
Quero ser muito mais que um objeto
 
Linda Nascimento  
 

domingo, 1 de novembro de 2020

Bela atuação

 


Amanhã vou acordar cedo

Tomar um banho gelado

Vestir minha melhor roupa

E colocar no rosto meu melhor sorriso

 

Mais uma vez as cortinas se abrem

Que o show comece

O público não pode esperar

Por mais uma bela atuação

 

O público aplaude

Enquanto tento me equilibrar

Sobre as dificuldades da vida

Sem nunca deixar transparecer minha dor

 

Mas então chega a noite

As cortinas são fechadas

Uma vez mais na escuridão

Me encontro sozinha com minhas dores

 

Não tem porque continuar sorrindo

Os aplausos estão silenciando

O público foi embora

Me deixando com minhas lágrimas

 

Linda Nascimento

Mais uma de milhares

  Sou eu a vítima aqui Agredida, violentada e assassinada  Mas julgam-me no banco dos réus  Independente do tempo ou da época Sou e serei se...