segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A Poesia, O Poeta E A Arte


A poesia nunca morre, nem há de morrer
Antes, quem morre é o poeta
E mesmo que assim seja
A quem ainda graceja
Pois morre-se um hoje
Nasce outro de seguida
 
Como quem sequer deixa arrefecer
O corpo do marido, que Deus o tenha,
Antes de pôr-se com galanteios vários
Para cima da viúva, que de coração enlutado, 
Anseia pelo aconchego de um ombro amigo
Mas que, por vezes, acaba por ganhar um amante
 
Assunto é o que não falta ao poeta que
Com eles poderia encher páginas e mais páginas
Que nunca seriam suficientes, ainda havia de
Sobrar-lhe algumas quantas palavras por escrever
Verdadeiramente digo, o que falta aos homens
É a capacidade e a criatividade
Que transforma o infértil em produtivo como
Quem, com poder divino, opera um milagre
 
Nos regando com o mais doce dos néctares
Como quem rega a terra seca e escassa de chuvas
Como as destas nossas ilhas que mais
Parecem dez grãos de milho que
Há deriva, deixado por Deus ou pelos homens, ficou
Obrigando-nos, assim como diz o poeta, a
Aprender a comer pedras com as cabras
 
Mas assim como o poeta que não desiste
De nenhuma de suas inspirações
Somos um povo resiliente
Que dos seus homens e mulheres fortes
Vai buscar o ouro, a prata e o petróleo
Dos quais a esta terra não calharam nada
Talvez tenha sido melhor assim devido
A ganancia dos homens que tudo destrói
Em nome dos próprios interesses
 
Reprime-se o poeta, censura-se o poema
E morre-se a arte, a esperança e a vida
Que deles bebe e embriaga-se
Como se não houvesse um amanhã
Tamanha sede de sempre querer mais
Mendigando como quem em
Desespero implora por meras migalhas
De carinho e atenção de quem
Sequer sabe dar valor ao pão
Que se lhe é dado de bom grado
 
Por fim digo que quem despreza o poeta
Que com humildade faz a sua arte
E a oferece como que presenteasse
Ao mais digno dos reis
Morre de fome do conhecimento
Que este proporciona ao faminto
Ora embelezado por belas palavras
Enfeitando assim os versos e as estrofes
Com rimas variadas e infindáveis
Ora ácidas, capazes de apodrecer até
Mesmo os dentes de quem por descuido
Deixa-se apanhar de surpresa  

Linda Nascimento



quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Namoro Virtual



Tudo sempre começa com um simples
"Oi! Como vai?"
E assim a conversa vai se estendendo
E um simples "Oi!"
Deixa de ser o suficiente
 
Os dois começam a conversar
Com cada vez mais frequência
Ficando mais íntimos
Conversando sobre suas vidas
Compartilhando segredos
Fazendo planos para o futuro
E a cumplicidade que só aumente

O desespero que é 
Quando o outro demora em responder
E a alegria quando finalmente
Uma resposta chega
Por mais banal que seja 
Um já não consegue viver sem o outro
Se tornam cada vez mais dependentes 
Da atenção proporcionada pela comunicação 
 
Então se dão conta de que
Algo especial existe entre eles
Um sentimento recíproco
O pedido é feito
"Quer namorar comigo?
Sem dúvidas a resposta é
" Claro que quero "
 
Alegria que não parece ter fim
Juras e promessas são feitas
Declarações de amor são uma constante
Tudo é tão lindo e perfeito 
Até que chega o dia em que a vontade
De se estar perto bate forte na porta
 
Planos de um encontro
São feitos por ambos
Mas a insegurança dá as caras
Ganhando espaço, crescendo e se fortalecendo 
Então as brigas se tornam em uma
Nova constante em suas vidas
 
Por fim chegam há uma conclusão
Como está não pode continuar
"Vamos terminar"
Um propõe não aguentando mais
"Será melhor assim"
A conclusão é inevitável
Assim termina aquele amor
Que parecia ser para sempre
 
Então tudo volta ao normal
E novamente tudo começa
Com um simples
"Oi! Como vai?"
Em uma nova conversa
Uma nova paixão
Vivendo um ciclo sem fim
 
Caindo vezes sem conta
Na mesma armadilha de
Um amor fácil
Sem medir as consequências
Que desse ato advém
Ignorando todos os sinais de alerta
Se jogando de cabeça
A cada nova paixão
 


Mais uma de milhares

  Sou eu a vítima aqui Agredida, violentada e assassinada  Mas julgam-me no banco dos réus  Independente do tempo ou da época Sou e serei se...