Os cabelos castanhos avermelhados
De tanto estar debaixo de sol quente
Na face infantil nenhum sorriso
No seu olhar, que há muito perdeu
A inocência, sequer há brilho
O seu caminhar vacilante denúncia
A fraqueza que sente, devido aos dias
Em que não se levou a panela ao lume
Desde o nascer do sol ao seu poente
Onde a mãe vai, lá vai também atrás
Vivem perambulando por entre as gentes
Que parecem nem ser capazes de os ver
Ou, quem sabe, não o queiram fazer
Mas eu os vejo e de coração aflito,
Por não ter muito o que eu possa fazer,
Não posso deixar de lamentar por eles
E pensar que ouço dizer por ai:
“Estamos bem! Vamos ficar bem!”
E o pior é que tem quem ouve e nisso crê
Deixando-se fazer cócegas nos ouvidos
E escolhendo andar, como que, com um
Véu sobre os olhos
Fechando os olhos a esses, que como,
Cachorrinhos esperam por umas quantas
Poucas migalhas de misericórdia
De alguém que com falsa piedade, ou não,
Dispõe a dar-lhes uma esmola qualquer
Vivemos em tempos de crise onde os fortes
Chocam-se com força destrutiva, contudo, são
Os pequeninos, coitadinhos, a quem por vezes
Até mesmo de esperança sentem falta
Os que sofrem com os resquícios de tal embate
Eu vejo-os
E você? Será que vê?
Linda Nascimento Rocha
