sexta-feira, 3 de maio de 2019

Papel Principal





Não vou reclamar
Da minha sorte, ou falta dela
Não sou quem perde
Nem a certa da história
Muito menos a mocinha
Sou a vilã? Não sei
Não escrevo o roteiro
Apenas sigo o guião

Muitas vezes me colocando
No papel da vítima, a injustiçada
Exercendo com mestria o meu papel
Sendo uma atriz fenomenal
Esperando do mundo reconhecimento
Na ingenuidade acreditando na humanidade

Tomando desse cálice vezes sem conta
Me embriagando
Cometendo loucuras
Crimes bárbaros
Que nunca sairão do teatro da minha mente
Invejado a liberdade
Dos que dá minha idade
Tem liberdade para viver a flor da mocidade

Seria pura maldade
Renegar a bondade?
Fazer parte da dark side
Viver em outra cidade
Uma outra realidade
Ter mais liberdade
Mas que adianta o querer fazer sem ação?
O fazer, mais do que fazer
O bem fazer

Almejado me libertar da ilusão
De ser personagem principal
A escolhida para algo especial
Ansiando as estrelas e o infinito
Na minha arrogância me sentindo a tal
Para ver se esqueço todo mal
Da sociedade atual

Linda Nascimento 

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