Minha carne podre
Se desfaz sobre o chão frio
Minha alma aflita
Vagueia pelos cantos da casa
Como quem procura por algo
Em baixo do tapete
Muito mais sujeira do que
Sou capaz de esconder
Sei que tudo que passei serviu
Para fazer de mim quem sou
Mas sinto que algo valioso
Se quebrou dentro de mim
E desde então venho sabendo
Como é a morte em vida
Me sentindo ficar mais fria
A medida que me sinto esvaziar
Quem me matou?
Anseio por saber
E essa é minha obsessão
Motivo pelo qual não consigo
Seguir em frente com a minha vida
Pois o passado permanece
Mais do que vivo em mim
Qual ferida que não cicatriza
Nunca fui de procurar culpados
Pois estava mais do que convencida
De minha culpa neste caso
Porem quanto mais fundo vou
Nas minha investigações
Mais me convenço de minha inocência
Me sentindo estúpida por entrar
Cegamente neste jogo desigual
Já passou da hora de tirar
Os esqueletos do armário
Desenterrar o passado
Pois o que passou ainda
Vivem em minha memoria
Se ao menos pudesse saber
O real motivo de minha desgraça
Talvez pudesse em fim seguir em frente
Pois tudo que quero é poder
Viver sem arrependimentos
Mas sigo presa as raízes do passado
Enquanto sangro até a morte
Pela faca em minhas costas
Traída com um beijo de quem
Depositei toda minha confiança
Linda Nascimento

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