Comecei o meu relato por dizer:
- Já não me lembro onde estava,
Nem o que fazia antes daquele momento.
Se assistia a uma aula,
Participava de uma reunião,
Ou escutava um Sermão.
Apenas sei que fazia algo,
Mas, já não me recordo o que era.
- Talvez não fosse importante! – Disse-me alguém.
- Se fosse lembravas-te! – Disse-me outro.
-É! Talvez não fosse importante – concordei –
A dada altura, em um momento de descuido,
Talvez tenha adormecido,
Quem sabe tenha imaginado,
Ou até mesmo alucinado.
Então, de repente, sob meus pés a agradável,
Sensação de caminhar descalça sobre a areia molhada.
O sol em minha face, como que uma carícia suave de dedos,
E o vento brincava com os meus cabelos, desarrumando-os,
Soprando-os em mil e uma direcções.
Despreocupada, deixei-me admirar aquele belo por do sol
Que na minha frente, tingia o céu do mais belo tom laranja
Que alguma vez tive a oportunidade de ver,
Uma autêntica obra da criação.
E então não mais estava sozinha
Ao longe, uma misteriosa figura aproximava-se.
Quanto mais se aproximava,
Menor era sua imagem.
Chegou até mim, parou e pôs-se a fitava-me
Tratava-se de uma criança,
Com os mais belos olhos castanhos,
Curiosos e cheios de vida.
Sorrindo estendeu-me a mão
Levo-me a conhecer mais daquela praia,
Que até então apenas observava,
Por mim, lá ficava para sempre.
Corremos, rimos e brincamos,
Construímos castelos de areia,
E banhamo-nos no mar
Daquela praia de águas serena.
Quando apercebi-me de que o
Nosso tempo juntas chegava ao fim,
Agarrei-me fortemente a ela, abracei-a apertado.
A envolvendo na sua totalidade,
Quase nos fundindo em uma só existência.
Não a queria deixar parti
Mas, aos poucos, senti que desvanecia,
Desaparecendo por entre os meus braços
Olhos cerados, lágrimas banhado meus rosto
Implorando, desesperada para que não me abandonasse
Sussurrando em murmúrios desconexos.
Ora dizia o quanto a amava,
Ora pedia que me perdoasse.
Quando voltei a mim, por um momento sentia-me triste,
Ainda estava sozinha, mas não mais vazia
Sentia-me de tal modo cheia, preenchida, completa
Que não sobrou mais lugar para toda aquela angústia
Que por anos viveu ancorado em meu peito.
Perdida, em minhas divagações desperto ao ouvir:
- Hey! Acorda p´ra! – Gritou-me alguém impaciente.
- Em que pensavas? Conseguiste te lembrar? – Outro questiona curioso.
Com um sorriso, antes de ir embora, respondo
- Se vos contasse, sei que, não acreditariam.
Linda Nascimento Rocha

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